sábado, 12 de janeiro de 2013

Desenhos.

Sou a obra do artista que me criou como obra divina da genética, da mesma forma que o meu desenho é um conjunto de rabiscos, coloridos, embaciados ou cintilantes, diversos. As nossas semelhanças estão em incontáveis aspectos: ambos somos definidos pela forma e origem, somos julgados o tempo inteiro pelos outros, negligentes, mas nomeiam-se inteligentes, se acham no direito de se julgar (de fato, se estiverem na disposição de serem ignorados ou considerados arrogantes). Somos ambos milhões, bilhões; nossos números estão se expandindo. Mas somos diferentes apesar de iguais. Uns são feios, outros são belíssimos; uns são grandes, outros são mínimas; uns são atraentes, outros repulsivos; uns são geniais. Mas somos todos humanos e desenhos.
As nossas coincidências não acabam, e criam o tempo todo novas para que possamos apreciar nossas características incessantemente, pra que, eu não sei. Mas, olhe, uns são preciosos para um todo conjunto, uma verdadeira obra, mas isso não significa que os outros não sejam, porque afinal, o criador do mesmo é o seu maior orgulhoso. Digo, essa verdadeira obra para o conjunto seria um Albert Einstein ou um "O Grito". Síntese (ou "distinção"): reconhecimento e fama. Isso pode ser temporário ou não, verdadeiro ou não. Nossas semelhanças chegam a assustar, não é mesmo? Verossímil, meu querido semelhante.
Das que mais gosto é o fatos de nós dois sermos descartáveis. Usam-nos, e ficamos na esperança fútil de não sermos jogados fora. Ficamos também na esperança de termos uma história, um admirador e um sentido, de ficarmos no roteiro do escritor que nos escreveu. Tudo o que queremos no fundo é sermos vistos. Uns pensam em ser amados porque são puros, são de natureza especiais; enquanto outros buscam serem vistos como superiores, esses obtiveram erros em suas criações. Porque afinal somos os mesmos, todos temos veias ou grafite, e as nossas diferenças estão nos nossos valores, o que queremos para nós mesmos individualmente e como conjunto, e isso tudo será visto um dia (talvez reconhecido, se o tal for sortido) apenas se posto em pratica. Palavras não contam nada, somente falácias, avulsos pensamentos, sejam eles inúteis ou geniais, serão sempre pensamentos enquanto apenas pensados. Com isso, falo que aquilo que reconhecemos como ideia são as mais supérfluas, infelizmente, mas afinal não é nossa culpa, é culpa da nossa alienação; mas isso é tão clichê que me racha o cérebro escutar, ver. Analisando isso, o clichê da influencia é ignorado na prática, e isso o torna supérfluo também. Mas afinal estava falando de desenhos e eles não tem culpa. Aí nos diferenciamos deles. Enquanto são inanimados, somos reais, nossas ações e consequências são verdade, enquanto as deles são blasfêmias, são meus exemplos usados para tentar explicar meus pensamentos (fúteis por não serem postos em prática, mas e daí? Não busco reconhecimento, dane-se talentos dispensáveis de minha parte). Nos diferenciamos, nós o julgamos ao mesmo tempo que eles não nos julgam, não nos amassam para jogar no lixo, num meio de abandono memorial. E, que pena, eles não podem ouvir tais insultos (graças a Deus!). Mas também odiamos tudo, até mesmo nossa espécie. Esses desenhos, criados pelos juízes, são únicos assim como o seu criador. Mas, dane-se, nossa outra ignorada semelhança é a transparência dos nossos bons valores (no caso de nós humanos, apenas aqueles que os possuem), e a exuberância do que temos de mais podre, tão curiosamente, de nossos defeitos. Mas afinal de tudo isso nada vale, tudo são coisas jogadas num monte de iguais. Um caderno cheio de rabiscos. Feitos iguais, mas distintos. Mas o que não nos damos conta é que o tal livro do autor será um dia esquecido, da mesma forma que o desenho será considerado um monte de rabiscos defeituosos e será posto fora (outra diferença para a nossa coleção de defeitos: somos hipócritas, se os nossos próprios desenhos consideramos uma calunia, imagine o quanto que as nossas ações dizem o quanto podemos ser considerados "humanos").